MERCADO DE CAFÉ – ANÁLISE

Arábica reage: estoques baixos abrem janela, mas safra recorde exige decisão

KCN26 tocou nova mínima de ciclo e recuperou 4,34% na semana. A virada combinou vencimento de opções de julho, interrupções pontuais na colheita e estoques certificados da ICE abaixo de 400 mil sacas. A partir desta edição, a Régua de Preços passa a acompanhar o KCU26, contrato de referência para a próxima etapa da safra.

BACKSOURCE · JEREMIAS JANJÃO DO NASCIMENTO PUBLICADO EM 15 JUN 2026 REFERÊNCIA: SEMANA DE 08–12 JUN 2026 TEMPO DE LEITURA 8 MINUTOS

Semana de 15–19/jun: KCU26 fecha acima do Pivot pela primeira vez em semanas, com a MM18 ainda como resistência imediata. A retomada da colheita deve ser monitorada a partir da metade da semana. Estoques certificados ICE seguem abaixo de 400 mil sacas e o próximo COT, com dados até 16/06, será decisivo para medir a cobertura de vendidos.

KCN26 · Jul/26 · Fech. 12/06 257,20¢/lb

+10,70¢ (+4,34%) na semana · Mínima da semana: 242,70¢ (10 meses)

KCU26 · Set/26 · Novo contrato de referência 253,40¢/lb

Acima do Pivot (252,33¢) · 3,80¢ de desconto vs. KCN26

Estoques certificados ICE · 11/06 399.490 sc

−51,7% vs. ano anterior (826.484 sc) · Abaixo de 400 mil

Físico arábica tipo 6 · 12/06 R$ 1.400–1.575/sc

Guaxupé R$1.528 (+4,44%) · Varginha R$1.570 (+1,29%)

Conilon ES · Tipo 7/8 · 12/06 R$ 928/sc

+2,77% · Robusta Londres atingiu US$3.628/t na semana

BRL/USD · 12/06 R$ 5,06

Real fortaleceu de R$5,16 (05/06) para R$5,06

A semana dia a dia: do fundo técnico à recuperação sustentada pelo estoque

Depois de quatro semanas consecutivas de queda e de uma mínima relevante na sexta anterior, o mercado entregou o movimento que vínhamos tratando como possível: uma recuperação técnica rápida, concentrada em três sessões. A semana começou em consolidação, atingiu novo piso de ciclo na terça-feira e terminou com a maior alta semanal recente.

Pregão Evento & leitura Backsource
Jun
Seg 8
Consolidação
A semana abriu em alta, com o mercado monitorando o ritmo da colheita. Mas a sessão fechou “sem direção única, com mercado dividido entre colheita e clima”, exatamente o cenário base que projetamos na edição anterior. No fundo, dois eventos de menor visibilidade aconteceram: a CNC lançou cartilha de orientação técnica para os cafeicultores atingidos pelo granizo de 1/06, e uma notícia sobre doença silenciosa nos cafezais começou a circular, item que merece acompanhamento, mas sem dados suficientes ainda para quantificar impacto.
Jun
Ter 9
Mínima de ciclo
A sessão abriu com arábica em alta e robusta em baixa, e a Colômbia reagiu após meses de produção fraca, ampliando ainda mais a vantagem comparativa do Brasil. Mas o dia fechou em queda, com “estoques apertados e riscos climáticos no radar”, uma combinação que parece contraditória, mas é o ponto central desta edição. O KCN26 tocou 242,70¢, mínima de 10 meses, conforme leituras de mercado para o contrato julho. Este é o corte exato do COT publicado nesta semana: Managed Money fechou o dia com net long de apenas +11.863 contratos, abaixo dos +15.000 que identificamos como limiar de aceleração na edição anterior.
Jun
Qua 10
Reversão
Primeiro dia de recuperação. A colheita “começa a ganhar ritmo no Brasil” segundo o Cepea, mas a colheita da Cooxupé atinge apenas 12% da área, o menor índice para a data desde 2022. O mercado abriu e fechou em alta, com atenção à qualidade da safra e ao clima nos países produtores. As chuvas que atrasaram a colheita na semana anterior (granizo) se somam a um novo evento: chuvas fortes na própria semana voltaram a interromper operações de secagem, com relatos pontuais de perdas relevantes no pós-colheita.
Jun
Qui 11
“Dispara”
O dia de maior força da semana. A Cecafé publica o relatório de exportações de maio (+3,6% sobre maio/2025, para 3,089 milhões de sacas) e o mercado “dispara nas bolsas e volta a reagir a preocupações com a oferta”, só que, desta vez, a preocupação é com a falta de oferta disponível, não com o excesso projetado. Os estoques certificados da ICE, que vinham em queda contínua, tornam-se o centro das atenções. O Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan subiu 4,1 pontos em junho, para 48,9, acima da previsão de 46,0, sustentando expectativas de demanda.
Jun
Sex 12
Fecha em alta
O mercado avança ainda na sexta, com “estoques apertados e menor oferta de arábica” e fecha a semana em alta nas bolsas. KCN26 encerra em 257,20¢, com máxima da semana em 257,95¢. O movimento desde a mínima de terça representa um repique de aproximadamente 14,50¢ (≈ 1.500 pontos) em três sessões, recuperação de mais de 6% em relação ao fundo. O físico acompanha: Guaxupé sobe 4,44% para R$1.528/sc, e o conilon do Espírito Santo sobe 2,77% para R$928/sc tipo 7/8.

O fundo da semana e a referência Barchart: contrato, ajuste e recuperação técnica

A divergência entre 242,70¢ e 238,85¢ não é uma contradição de mercado. É uma diferença metodológica. O primeiro número se refere à leitura de mínima negociada no KCN26, contrato julho, durante a sessão de terça-feira. O segundo aparece na referência de Price Performance do Barchart, que pode combinar janela de captura, contrato observado, série contínua, último preço e ajuste. Em futuros, esses pontos não são sempre equivalentes.

Para a Régua de Preços, a referência operacional passa a ser o Barchart Cheat Sheet do KCU26, porque o contrato setembro se torna mais representativo à medida que o julho se aproxima da entrega física. Isso evita misturar o fundo do contrato que vence, a mínima da série exibida no painel de performance e o ajuste utilizado para cálculo técnico. A diferença entre os números muda a precisão do registro, mas não muda a conclusão: o mercado tocou um novo piso de ciclo e reagiu a partir de uma zona estatisticamente extrema.

O mecanismo da reversão foi técnico. O vencimento das opções de julho aproximou os vendidos em puts nos strikes de 250¢ e 245¢ de uma região sensível. A recompra de proteção, somada à pausa na colheita por chuvas fortes e à atenção crescente aos estoques certificados, produziu uma alta próxima de 1.500 pontos a partir da mínima da semana.

“O COT capturou o mercado no ponto de maior fragilidade: Managed Money em +11.863 contratos, abaixo do limiar de +15.000 que havíamos definido. O que veio depois foi a mecânica típica de fundo técnico: opção vencendo, vendido recomprando e estoque curto ganhando peso na formação de preço.”

Para o produtor, a leitura é objetiva. A recuperação desta semana não nasceu de uma revisão da safra, que segue elevada. Ela nasceu de uma combinação entre microestrutura de mercado, interrupção pontual da colheita e estoque certificado apertado. Por isso, o repique deve ser tratado como correção técnica dentro de uma tendência de médio prazo ainda pressionada, não como reversão definitiva.

Por que o estoque fala mais alto que a safra agora

O aparente paradoxo entre safra recorde e alta de preços se resolve quando separamos duas variáveis distintas: oferta projetada e estoque disponível para entrega. A safra é uma expectativa de volume futuro. O estoque certificado é disponibilidade imediata, auditável e aceita pela bolsa para liquidação física.

Os estoques certificados de arábica na ICE caíram para 399.490 sacas em 11/06, com redução de 3.219 sacas no dia e de 6.559 sacas na sessão anterior. Há um ano, esse número era de 826.484 sacas, o que representa queda de 51,7% em 12 meses. Em maio, o recuo foi de 63.853 sacas. Esse é o dado que o mercado passou a precificar na segunda metade da semana.

Os boletins do Escritório Carvalhaes vêm chamando atenção para essa distinção. O mercado pode discutir uma safra entre 66,7 e 70 milhões de sacas, mas essa produção ainda precisa ser colhida, beneficiada, classificada, transportada e eventualmente certificada. Até 5/06, os embarques de junho somavam 154.627 sacas, contra 449.873 sacas no mesmo dia de maio. A desaceleração do embarque apareceu justamente quando o consenso esperava aceleração.

Essa é a explicação mais sólida para a alta de quinta-feira. O mercado não passou a acreditar que a safra é pequena. Ele apenas reconheceu que o café disponível para entrega nas próximas semanas era menor do que o preço de 246,50¢ sugeria. Quando o estoque imediato fica escasso, a safra projetada perde parte do poder de pressão no curtíssimo prazo.

Cecafé +3,6% em maio: como ler exportação sem misturar ciclos

A divergência entre os alertas da OIC e o dado positivo da Cecafé não deve ser lida como contradição. Ela mostra que o mercado está olhando, ao mesmo tempo, para três recortes diferentes: o mês isolado, o acumulado do ano civil e o ano-safra que está terminando. Cada recorte responde a uma pergunta distinta.

Exportações brasileiras de café: três recortes, três sinais
Maio/26 vs. maio/25
+3,6% (3,089M sc). Primeiro sinal de entrada da nova safra no fluxo de exportação. O movimento foi puxado pelos canéforas, robusta e conilon, enquanto o arábica tende a ganhar peso no segundo semestre.
Jan–Mai/26 vs. Jan–Mai/25
−12,4% (14,745M sc vs. 16,825M sc). Reflete a safra 2025, menor, ainda sendo escoada durante o primeiro semestre de 2026.
Ano-safra Jul/25–Mai/26 (11m)
−17,7% em volume (35,373M sc) e −0,7% em receita (US$13,612 bi) vs. Jul/24–Mai/25. Este é o número que alimenta o alerta da OIC. Ele fotografa o ciclo que está terminando, não o ciclo que começa com a safra 2026.

A leitura correta não é escolher entre OIC e Cecafé. Maio de 2026 marca o ponto de inflexão entre dois regimes: o ciclo 2025, menor e ainda refletido no acumulado, e o ciclo 2026, maior e já visível no dado mensal. A leitura Backsource é que o Brasil pode voltar a operar, nos próximos 12 meses, em um ritmo de exportação muito superior ao do ano-safra que se encerra. O ponto para o preço é simples: a melhora do fluxo confirma a entrada da safra, mas ainda não resolve o aperto do estoque certificado no curto prazo.

Um dado complementar reforça a pressão de preço: o valor médio exportado por saca caiu de US$433,69 (maio/25) para US$350,04 (maio/26), uma queda de 19,3%. A receita em dólares caiu 16% no mês mesmo com o volume crescendo 3,6%, porque o preço por unidade despencou. É a mesma dinâmica que vimos no físico interno, espelhada no valor de exportação.

IBGE confirma 66,8 milhões: a terceira estimativa convergente

O IBGE elevou sua estimativa para a safra 2026 em 1% frente ao mês anterior, projetando 66,8 milhões de sacas, novo recorde. O arábica foi estimado em 44,4 milhões de sacas (+1,1% no mês), com o instituto citando melhora no “pegamento dos chumbinhos” e expectativa de bienalidade positiva. O conilon/robusta foi estimado em 22,4 milhões de sacas (+0,7% no mês), também recorde, com crescimento de 6,8% sobre 2025, atribuído a aumento de 3,9% na área colhida e 2,8% no rendimento médio.

Com isso, as três principais estimativas oficiais da safra 2026 convergem para uma faixa estreita: Conab em 66,7 milhões, IBGE em 66,8 milhões, e USDA em 70 milhões. A diferença entre as duas primeiras é estatisticamente irrelevante. O que se consolida é que o piso da safra está em torno de 66,7–66,8 milhões, com o USDA mantendo uma margem adicional de otimismo. O desafio que se coloca agora não é mais “quanto será a safra”. A questão agora é como o mercado e o setor vão lidar com a abundância: ampliar mercados e relações comerciais é uma resposta possível, em vez de deixar a narrativa de “oferta excessiva” pressionar unilateralmente a decisão de venda do produtor.

COT confirma a virada técnica, mas não muda a tendência do café

Na edição anterior, estabelecemos um gatilho objetivo: se o net long dos fundos caísse abaixo de +15.000 contratos, o desmonte deixaria de ser apenas redução gradual de exposição e passaria a indicar aceleração do viés baixista. O COT desta semana, com dados até terça-feira 09/06 e publicação na sexta, confirmou exatamente esse ponto. A leitura veio ainda mais forte do que o cenário-base sugeria.

26/05/2026
+22.973
Long 44.090 · Short 21.117
OI: 193.648
02/06/2026
+19.624
Long 42.530 · Short 22.906
OI: 202.855 (−3.349/sem)
09/06/2026 ★
+11.863
Long 41.186 · Short 29.323
OI: 213.519 (−7.761/sem)

A variação semanal mais que dobrou, de −3.349 para −7.761 contratos. O movimento não foi apenas redução de posições compradas. Houve ampliação relevante de shorts, com aumento de +6.417 contratos vendidos e queda de −1.344 contratos comprados. Esse era o posicionamento existente no fundo do mercado, na terça-feira.

O ponto central é que o COT explica a fragilidade do fundo, mas não captura a reversão posterior. A alta de quarta a sexta ocorreu depois do corte estatístico do relatório. Por isso, o próximo COT, com dados até 16/06, será decisivo. Se mostrar recomposição do net long para a faixa de +18.000 a +20.000 contratos, o rali terá sido majoritariamente cobertura de vendidos. Se o net long permanecer baixo, a leitura muda: parte do movimento pode ter vindo de compra nova, o que daria mais sustentação ao repique.

Essa é a contribuição da Régua Backsource para a leitura do fluxo: o preço mostra o movimento, mas o COT mostra a qualidade desse movimento. Nesta semana, o gatilho identificado anteriormente apareceu no relatório e, em seguida, virou combustível para a recuperação técnica.

Sobre a referência do agnocafe, com relatório de 08/06 e números de “-87%”, −3.636 longs e +5.237 shorts, não localizamos correspondência exata nas tabelas oficiais da CFTC para o período. Os dados validados em Coffee C, Futures Only, código 083731, mostram a variação de −1.344 longs e +6.417 shorts entre 02/06 e 09/06. Mantemos a CFTC como fonte primária e tratamos divergências de leitura como ponto de verificação, não como base da régua.

A migração para o KCU26: nova Régua de Preços

A partir desta edição, a Régua de Preços passa a acompanhar o KCU26 (setembro/26), que se torna o contrato de maior liquidez e referência analítica à medida que o KCN26 (julho/26) se aproxima do período de entrega física. O KCN26 encerrou a semana em 257,20¢; o KCU26 fechou em 253,40¢, um desconto de 3,80¢ do contrato setembro frente ao julho. Esse prêmio do contrato mais próximo é coerente com o que discutimos sobre estoques certificados: o mercado está disposto a pagar mais por entrega mais próxima, justamente porque o estoque imediatamente disponível está escasso.

A sessão de segunda-feira (15/06) já confirma a continuidade do repique, e por isso atualizamos a Régua com o dado mais recente para evitar dispersão entre a leitura publicada e o painel ao vivo do Barchart. Até as 12h59 CDT, o KCU26 operava em 259,20¢, alta de 5,80¢ sobre o fechamento de sexta (253,40¢). Nessa única sessão, o contrato superou em sequência a MM9, o Pivot, a MM18, o PP1R, o Target e o PP2R, todos os quais passam a funcionar como suporte. O preço atual já está dentro da faixa do cenário “Continuação” (258–263¢) projetado para a semana, e o próximo teste é o agrupamento PP3R/+1σ, entre 260,52¢ e 260,69¢, apenas 1,3 a 1,5¢ acima. As bandas de desvio padrão também se recalcularam com o novo dado: +2σ sobe para 263,71¢ e +3σ para 266,02¢, enquanto −1σ recua para 246,11¢.

KCU26 · Atualização intradiária 15/06/2026 · 12h59 CDT 259,20¢/lb Rali em continuação · testando PP3R/+1σ (260,52–260,69¢)

Zona de resistência

260,52, 266,02¢

PP3R (260,52¢) e +1σ (260,69¢) formam um teto imediato apenas 1,3 a 1,5¢ acima, praticamente um agrupamento único. Em sequência: +2σ (263,71¢), MM40 (265,13¢) e +3σ (266,02¢). Ruptura desse agrupamento abre caminho para o topo da faixa “Continuação”.

Posição atual

259,20¢/lb

+5,80¢ sobre o fechamento de sexta (253,40¢) · já dentro do cenário “Continuação” (258–263¢) · 1,32¢ do PP3R

Zona de suporte

246,11, 257,43¢

PP2R (257,43¢) e Target (257,02¢), resistências da semana passada, agora primeiro suporte, apenas 1,8–2,2¢ abaixo. Em sequência: PP1R (255,42¢), MM18 (253,80¢), Pivot (252,33¢), PP1S (250,32¢) e −1σ (246,11¢). Esses níveis formam o “colchão” do repique caso haja retração.

Referência detalhada de níveis, KCU26

Fonte: Barchart.com · KCU26 Cheat Sheet · 15/06/2026 · 12h59 CDT (dado intradiário, atualiza a edição publicada em 14/06)

Cenários: semana de 15 a 19 de junho

⬇ Reversão
245–250¢
Retomada da colheita a partir da metade da semana reafirma a narrativa de safra recorde. Ruptura do Pivot (252,33¢) reabre caminho ao PP1S (250,32¢) e PP3S (245,22¢). Gatilho: clima seco confirmado + COT de sexta mostrando MM ainda reduzindo exposição.
→ Base (mais provável)
250–258¢
Consolidação testando a MM18 (253,80¢) como resistência imediata. Mercado digerindo o repique técnico, aguardando o COT de sexta para avaliar se houve cobertura de shorts. Volatilidade elevada nos dois sentidos, sem definição clara de tendência.
⬆ Continuação (em curso)
258–266¢
Confirmado já na abertura de segunda: KCU26 em 259,20¢, dentro da faixa projetada e testando o agrupamento PP3R/+1σ (260,52–260,69¢). Se romper, o caminho segue para +2σ (263,71¢) e +3σ (266,02¢). Sustentação depende de estoques ICE continuarem caindo e colheita permanecer atrasada.

Matriz de decisão: semana de 15 a 19 de junho

PerfilPosição atualSinalAção prioritáriaRaciocínio
Cerrado Mineiro
Mecanizado · custo R$1.100–1.250/sc
Físico recuperou para R$1.450–1.575 · Margem positiva restaurada Vender no repique Quem não vendeu na mínima da semana passada recebeu uma segunda chance esta semana. Aproveitar o repique para realizar margem. O contraponto estrutural, com cenários de stress próximos de 150¢ em NY, reforça que repiques técnicos dentro de tendência baixista são janelas de venda, não de espera. A margem está restaurada, capturá-la é gestão de risco, não pessimismo.
Sul de Minas
Custo R$1.300–1.450/sc
Varginha R$1.570 (+1,29%) · Colheita ainda lenta (Cooxupé 12%) Travar parcela adicional Aproveitar o repique para travar uma parcela adicional além da já fixada nas semanas anteriores. A colheita lenta (12% vs. normal de ~21% para a data) é, paradoxalmente, o que sustenta o preço agora. Quando a colheita acelerar, esse suporte específico se reduz. Travar enquanto o suporte está ativo é a leitura correta.
Matas de Minas · Especiais
+80 pts · EUDR
Prêmio de qualidade ativo · Doença silenciosa em monitoramento Monitorar doenças Continuar negociação direta por prêmio. Acompanhar notícias sobre a “doença silenciosa” nos cafezais, ainda sem dados suficientes para ação específica. O mercado de especiais opera fora da lógica de commodity, o repique de preço de mercado não altera a estratégia de negociação direta. A nova ameaça fitossanitária mencionada nesta semana é cedo demais para avaliar, mas justifica monitoramento próximo nos próximos dias.
Conilon ES
Tipo 7/8 · custo R$350–500/sc
R$928/sc (+2,77%) · Robusta Londres em alta na semana (US$3.628/t) Vender disponível Segunda semana consecutiva de alta no conilon. Vender o disponível com margem ampla, de R$873 para R$928/sc em uma semana. O robusta segue puxado por fatores próprios (oferta global mais restrita), independentes do ciclo de safra brasileira de arábica. Com margem superior a R$400/sc sobre o custo de produção, segurar disponível na expectativa de alta adicional é especulação, não gestão.
Trading / Exportador
Arábica e/ou robusta
KCU26 acima do Pivot · Spread Jul-Set 3,80¢ · COT de 16/06 na sexta Aguardar COT de cobertura O dado mais crítico da próxima semana é o COT de sexta (16/06): revelará se os fundos cobriram a posição vendida aberta na terça-feira durante o rali de quarta a sexta. Se o COT mostrar Managed Money retornando a net long acima de +18.000–20.000, o rali foi em boa parte cobertura de shorts, movimento técnico que tende a perder força. Se o net long permanecer baixo (próximo de +11.863), o rali teve participação compradora genuína, sinal mais construtivo para continuação.
Cooperativa
Carteira mista · capital de giro
Físico recuperado · IBGE 66,8M confirmado · Selic 14,50% Aproveitar janela de CPR O repique reabre, temporariamente, uma janela de CPR a preços mais favoráveis que a semana anterior. Aproveitar com os associados que ainda não fixaram. Com as três estimativas oficiais convergindo (66,7–66,8M), o tamanho da safra deixou de ser incerteza, o que resta é a logística de comercialização. O repique técnico desta semana é uma oportunidade tática de travar capital de giro a um custo melhor do que na mínima da semana passada.
Gestor FIAGRO
CPRs e estoques · LTV
Recuperação de ~4% no físico oferece alívio temporário de LTV Usar a janela para reavaliar A recuperação de preço desta semana melhora temporariamente o índice de cobertura das garantias, usar essa janela para reavaliações e ajustes de carteira antes de um eventual retorno da pressão baixista. O cenário estrutural, com risco de preços significativamente menores no médio prazo e recomposição de estoques globais até 2029/30, sugere que recuperações como esta podem ser temporárias. Gestores devem aproveitar a melhora momentânea do LTV para revisar garantias e não tratar o repique como nova base permanente de avaliação.

A semana de 8 a 12 de junho confirmou, com precisão quase didática, dois princípios que vínhamos descrevendo separadamente nas últimas edições: primeiro, que o desmonte acelerado de posições longas dos fundos (nosso limiar de +15.000 contratos) tende a coincidir com pontos de inflexão. O ponto não é que os fundos “erram”; é que posições extremas criam as condições mecânicas (vencimento de opções, cobertura de shorts) para reversões técnicas. Segundo, que o “estoque disponível” e a “safra projetada” são variáveis com dinâmicas próprias. Quando o mercado finalmente direciona sua atenção para a primeira, mesmo com a segunda em níveis recordes, o preço pode subir.

Nenhuma dessas duas confirmações altera o quadro estrutural de médio prazo, que continua apontando para baixo, reforçado nesta semana pela perspectiva da OIC sobre a expansão da produção africana e por cenários de stress que recolocam preços próximos de 150¢ no radar de médio prazo. O que muda é a tática: dentro de uma tendência baixista, repiques como o desta semana são, historicamente, as melhores janelas de venda, não sinais para reverter posições de hedge.

O mercado não pune a falta de euforia. Ele pune a falta de estrutura. Esta semana, a estrutura que importou não foi a do preço. Foi a do estoque. E o estoque, neste momento, está mais apertado do que o preço de 246,50¢ da semana passada sugeria.

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