MERCADO DE CAFÉ – ANÁLISE
Conab confirma 66,7 mi de sacas: KCN26 fecha maio no menor nível desde agosto/24
Análise do mercado de café: KCN26 fecha a semana em 265,60¢, com queda de 8,65¢ apenas na sexta-feira. A alta de quinta, sustentada pelo atraso da colheita, não resistiu à leitura de oferta consolidada pela Conab. Maio acumula −6,3% no KCN26.
Semana de 1–5/jun: Conab publicou 66,7 milhões de sacas para a safra 2026 (+18% vs. 2025). Arábica +28%, conilon quase estável (+0,75%). Colheita real (~14% em 22/05) ainda abaixo da projeção Conab (21,65% acumulado). O COT de 26/05 confirmou Managed Money net long em +22.973 contratos; agora o foco está na velocidade de desmonte desses longs e no USDA Crop Progress.
−8,65¢ (−3,15%) na sex · Range: 265,30–274,60¢ · Menor desde ago/24
Machado −7,10% · Araguari −4,76% · Varginha −2,96% · Guaxupé R$1.568
Arábica 45,8 mi (+28%) · Conilon 20,9 mi (+0,75%) · Área +4,39%
Conab projetava 21,65% acumulado · Déficit de ~7,6pp · StoneX 22/05
De 285,55¢ (30/abr) → 265,60¢ (29/mai) · Menor mês desde ago/24
A semana dia a dia: volatilidade sem reversão estrutural
A semana de 25 a 29 de maio começou com silêncio, os EUA em feriado de Memorial Day, mercado de NY fechado na segunda-feira, e terminou com o KCN26 no menor nível desde agosto de 2024. Entre esses dois extremos, quatro pregões contaram uma história de volatilidade sem reversão estrutural.
A alta de quinta e a reversão de sexta
O rally de quinta-feira precisa ser compreendido em dois tempos. O primeiro tempo foi legítimo: as chuvas de maio na faixa cafeeira mineira estão atrasando a colheita de forma mensurável. A StoneX estimava colheita real em ~14% até 22 de maio, enquanto a Conab projeta 21,65% acumulado para o mês. Esse déficit de ~7,6 pontos percentuais representa café que “deveria estar colhido” mas ainda está na lavoura, mantendo o mercado mais apertado no curto prazo do que as projeções indicavam.
O segundo tempo é a reversão. O mercado sabe o que está esperando: 66,7 milhões de sacas de café em 2026, com +28% no arábica e produtividade saltando de 24,05 para 29,49 sc/ha. Esse volume tende a chegar ao mercado. As chuvas apenas atrasam o fluxo, não alteram a direção da oferta. A queda de sexta não decorreu de um dado isolado novo; refletiu a manutenção da pressão vendida dos fundos, amplificada pela liquidação técnica de fechamento de mês. A lógica dos vendidos continua dominante: a oferta está a caminho, e o atraso de 2–3 semanas não muda a trajetória de médio prazo dos preços.
A alta de quinta durou menos de 24 horas. Isso não invalida o argumento do atraso de colheita; apenas mostra que, neste momento, a leitura de safra ampla tem maior peso na formação de preço. Os dois vetores coexistem, mas o mercado escolheu qual deles precificar com mais intensidade.
A diferença entre o rally de quinta e a queda de sexta se explica melhor com o COT de 26/05, publicado na sexta-feira: os fundos (Managed Money) estavam net long em +22.973 contratos — não net short como a narrativa de “fundos vendidos” sugeria. A pressão vendedora vinha dos comerciais (produtores, tradings, processadores), net short em −21.414 contratos, exercendo hedge da safra que está chegando. O risco baixista adicional existe e é quantificável: se os fundos acelerarem o desmonte dos seus 44.090 contratos comprados, o movimento de queda pode se aprofundar. Mas a pressão vendedora estrutural desta semana veio de quem estava hedgeando colheita — não de especulação direcional baixista.
Conab maio/2026: a leitura além da manchete
A estimativa de safra da Conab foi publicada em 21 de maio e voltou ao centro da precificação nesta semana. O relatório consolida os números de referência que o mercado já estava precificando desde meados do mês: 66,7 milhões de sacas para a safra 2026 (+17,98% vs. 2025). Trata-se do documento técnico mais completo disponível, e alguns números merecem análise além da manchete:
O dado mais relevante, e menos comentado, é a divergência estrutural entre arábica e conilon. Enquanto o arábica cresce 28%, o conilon quase não se move (+0,75% nacional), e o Espírito Santo, maior produtor de conilon do país, apresenta queda de 4,22% na produção e de 8,21% na produtividade. Isso significa que a narrativa de “safra recorde” não é homogênea: ela descreve com precisão o arábica mineiro, mas não o conilon capixaba.
Dentro do arábica mineiro, o crescimento também é heterogêneo. O destaque positivo é o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba/Noroeste, com produção saltando de 4.771,6 para 7.646,2 mil sacas, um aumento de 60,24% em um único ciclo. Já as Matas de Minas crescem 18,79%, mais moderado. O Sul e Centro-Oeste crescem 26,35%, mas a Cooxupé, maior cooperativa do país, antecipa receber 6,8 milhões de sacas neste ciclo, +12% vs. 2025.
Para o mercado futuro, o que importa é a diferença entre o que a Conab estima e o que o mercado já precificou. Com Marex projetando 75,9 mi de sacas, StoneX 75,3 mi e Sucafina 75,4 mi, todos bem acima dos 66,7 mi da Conab, o número oficial pode ter sido lido pelo mercado como conservador, não alarmante. Marcelo Fraga Moreira estimava 73,5 mi (padrão histórico de Conab subestimar em ~10%). A confirmação em 66,7 mi, portanto, pode ter frustrado os agentes que esperavam um número maior, reduzindo o impacto baixista marginal do dado.
O que o USDA vê no mundo e onde o Brasil ainda não aparece
O USDA divulgou suas primeiras estimativas para a safra global 2026/27 esta semana. A análise da StoneX (Leonardo Rossetti, 25/05) organiza os dados com precisão:
Destaques por origem: Vietnã projeta 32,5 milhões de sacas (+2,5%), Colômbia 13,4 milhões (+7%), Indonésia revisada para baixo a 11,3 milhões (excesso de chuvas). Produção global +1,7% na comparação anual.
O paradoxo dos estoques finais. Mesmo com aumento da produção global, os estoques finais 2026/27 caem 11% no consolidado parcial do USDA. Isso acontece porque a demanda global segue resiliente. Vietnã, Colômbia, Etiópia, Uganda e Índia aparecem com estoques finais menores que o previsto. O superávit de ~10 milhões de sacas que a StoneX projeta para 2026/27 está concentrado no Brasil, o que sugere recomposição assimétrica de estoques: o mundo fica mais equilibrado, mas o Brasil carrega uma parcela desproporcionalmente maior do estoque global.
Os números do Brasil no USDA ainda não foram divulgados na publicação desta semana. Quando saírem, caso confirmem estimativas acima de 70 mi de sacas, a pressão baixista pode ser renovada. Este é o evento de risco mais relevante para as próximas semanas.
Fertilizantes nitrogenados: da queda sem demanda à decisão de compra
Em 11 de maio, o analista de inteligência de mercado da StoneX, Tomás Pernías, já sinalizava o paradoxo que dominou o tema durante toda a segunda quinzena: os preços dos nitrogenados seguiam em queda no mercado internacional e no Brasil, mas o movimento ainda não havia sido suficiente para estimular a demanda. Compradores e distribuidores operavam em modo de cautela, aguardando o piso que, por definição, ninguém consegue identificar com precisão.
Na Expocafé 2026, a análise ganhou granularidade. Mário Jefferson, gerente comercial da Heringer, apresentou um diagnóstico detalhado que merece atenção do produtor de Sul de Minas em especial, região de maior consumo de nitrato de amônia no setor cafeeiro. O quadro que emergiu da entrevista é mais nuançado do que a manchete de “nitrogenados em queda” sugere:
| Fertilizante | Preço atual | Oferta | Risco logístico | Recomendação |
|---|---|---|---|---|
| Ureia | Em queda | Alta · vários fornecedores | Baixo | Pode aguardar com mais tranquilidade. Alta oferta reduz risco de falta. |
| Nitrato de amônia | Queda moderada | Limitada | Médio-alto | Comprar antecipadamente. Logística complexa + oferta limitada no pico da safra = risco real de atraso. |
| Sulfato de amônia | Estável e descontado | Maior que nitrato | Baixo | Alternativa viável para substituição parcial da ureia. Boa disponibilidade. |
Fonte: Mário Jefferson, Heringer · Expocafé 2026 · 28/05/2026
Dois dados do cenário chamam atenção. Primeiro: o Brasil importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que consome. Isso cria um tempo médio de 3 meses entre a compra e a entrega ao produtor, o que significa que quem ainda não iniciou o processo para a adubação de cobertura de junho–agosto está operando fora da janela segura. Segundo: os conflitos geopolíticos que afetaram a cadeia de ureia em 2022–2023 foram superados pela diversificação de fornecedores, mas o risco de atraso logístico persiste, especialmente para o nitrato de amônia, que tem logística mais complexa e capacidade de atendimento limitada no pico de demanda.
O dado que mais contextualiza a decisão é a relação de troca fertilizante × café. Atualmente ela gira em torno de 2,1 a 2,2 sacas de café por tonelada de adubo, considerada muito vantajosa pelo mercado. Em 2025, com o café acima de R$2.000/sc e os insumos ainda inflados pelo ciclo de alta, essa relação chegou a 1,1 saca por tonelada, nível atípico. O retorno à faixa de 2,1–2,2 significa que, mesmo com a queda recente do café, o produtor compra hoje mais insumo por saca entregue do que em qualquer momento dos últimos dois anos.
A lógica é a mesma que se aplica à comercialização do café: travar insumos a preços favoráveis é gestão, não especulação. A inovação do setor aponta para formulações com NPK e micronutrientes em grânulo único, que eliminam a segregação de nutrientes e garantem distribuição uniforme no campo, com reflexo direto na produtividade da safra 2027/28. Para o produtor disposto a atualizar a sua nutrição de base, o momento de compra e de escolha tecnológica coincidem.
Junho e padrão sazonal: o que 40 anos de Cooxupé mostram sobre os próximos 60 dias
A cooperativa Cooxupé publica desde 1981 o preço médio mensal de aquisição de café dos seus associados, expresso em USD por saca de 60kg. Essa série, com mais de 40 anos de dados, é o referencial histórico mais completo de preço físico pago ao produtor na principal região cafeeira do Brasil. Ao analisar o comportamento sazonal da série, um padrão emerge com consistência: julho e agosto são os meses de menor preço médio de aquisição, o piso do ciclo anual.
A tabela abaixo consolida o preço de aquisição Cooxupé (USD/sc) nos meses de pico de colheita dos últimos 7 anos, com as variações percentuais em relação ao fechamento de maio:
| Ano | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Δ Mai→Jul | Δ Mai→Ago |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2019 | 98 | 98 | 111 | 117 | 104 | +19,2% | +5,8% |
| 2020 | 109 | 101 | 99 | 101 | 102 | +0,7% | +1,0% |
| 2021 | 134 | 153 | 158 | 148 | 147 | −3,6% | −4,2% |
| 2022 | 263 | 255 | 249 | 209 | 209 | −18,0% | −17,8% |
| 2023 | 223 | 207 | 192 | 183 | 177 | −11,4% | −14,3% |
| 2024 | 224 | 230 | 230 | 220 | 230 | −4,7% | 0,0% |
| 2025 | 444 | 420 | 389 | 314 | 312 | −25,2% | −25,8% |
| 2026 ★ | 340 | ~310* | ? | ? | ? | Projeção abaixo | |
| Média Mai→Jul (anos com Mai > $150, pós-2010) | −9,3% | −10,5% | |||||
USD por saca de 60kg · Preço médio mensal de aquisição Cooxupé · * estimativa mai/26 com base no físico de 29/05 (R$1.568/sc ÷ R$5,07)
Dois padrões importantes emergem da tabela. Primeiro: em anos de preços elevados (acima de $150/sc em maio), a queda de maio a julho é consistente e relevante, com média de −9,3% nos últimos 10 anos. Segundo: a intensidade do declínio está positivamente correlacionada com o nível de preços: 2025 caiu 25,2%, 2022 caiu 18,0%, 2023 caiu 11,4%, enquanto 2024 (preços mais moderados) caiu apenas 4,7%.
O índice sazonal histórico (pós-2010) confirma o padrão estruturalmente: agosto é o mês mais fraco da série, com média de 96,7% da média anual, enquanto janeiro e fevereiro são os mais fortes (101–104%). Junho começa a descida em 99,7%, julho em 98,2%, agosto no piso em 96,7%.
Para 2026, essa dinâmica chega em um contexto inédito: os preços já caíram significativamente antes do início formal da colheita. O KCN26 fechou maio em 265,60¢, 37% abaixo do pico de novembro/2025 (423¢). A Cooxupé registrou $386/sc em janeiro e $340/sc em abril. A pressão sazonal de junho–agosto, portanto, incidirá sobre uma base já comprimida:
O intervalo de projeção é amplo por razão metodológica: a intensidade do declínio sazonal depende de quanto o mercado já antecipou. Em 2024, a pressão foi mínima porque os preços não estavam inflados; em 2025, a queda de 25,2% veio de um nível de $420/sc. Para 2026, partindo de ~$310/sc em maio, o cenário base aponta para $280–295/sc em julho, equivalente a R$1.400–1.477/sc ao câmbio atual. Mesmo no cenário otimista, o preço estaria abaixo do patamar atual de Guaxupé (R$1.568/sc).
A pergunta direta para o produtor: com o físico em R$1.568–1.640/sc hoje, qual é a probabilidade de estar em patamar mais alto em agosto? O histórico de 40 anos da Cooxupé responde com clareza. Não é impossível que um catalisador climático severo ou uma cobertura de shorts intensa crie um repique. Mas como base de planejamento, aguardar o pico da colheita para negociar contradiz o que a série histórica mais longa disponível mostra com consistência.
O histórico completo está disponível em portalweb.cooxupe.com.br.
Régua de Preços: KCN26 · 29/05/2026
O fechamento em 265,60¢ representa a pior sessão da semana e o encerramento mensal mais baixo desde agosto de 2024. O preço está agora 3,11¢ abaixo do Pivot (268,50¢), abaixo de todas as médias móveis e a apenas 1,21¢ do Target Price (264,39¢). A Régua de Preços desta semana concentra os níveis de suporte críticos que definirão o próximo movimento.
Zona de resistência
268,50, 283,00¢
Pivot (268,50¢) é o primeiro obstáculo, 2,90¢ acima. Acima dele: MM9 (270,99¢), PP1R (271,70¢), MM18 (273,52¢), PP2R (277,80¢) e MM40 (283,00¢). Recuperação acima de 271,70¢ seria o primeiro sinal técnico positivo.
Posição atual
265,60¢/lb
3,11¢ abaixo do Pivot · 1,21¢ acima do Target (264,39¢) · 3,20¢ acima do PP1S (262,40¢)
Zona de suporte: suportes críticos
253,10, 264,39¢
Target (264,39¢) → PP1S (262,40¢) → −1σ (262,01¢) → −2σ (260,52¢) → −3σ (259,38¢) → PP2S (259,20¢) → PP3S (253,10¢). Ruptura do PP1S ativa stops dos CTAs e aponta para os desvios.
Referência detalhada de níveis
Fonte: Barchart.com · KCN26 Cheat Sheet · 29/05/2026 · 14h59 CDT (após fechamento)
Cenários: semana de 1 a 5 de junho
Matriz de decisão: semana de 1 a 5 de junho
| Perfil | Posição atual | Sinal | Ação prioritária | Raciocínio |
|---|---|---|---|---|
| Cerrado Mineiro Mecanizado · custo R$1.050–1.250/sc |
Físico R$1.674–1.710/sc · Margem positiva · Colheita em andamento | Fixar 40–50% | Travar com o físico ainda acima de R$1.600/sc antes de o volume de safra pressionar o mercado físico em junho–julho. | Com o KCN26 em 265,60¢ e o Conab confirmando +28% no arábica, a pressão de oferta de junho–julho é real e mensurável. Cada semana de espera aumenta o risco de o físico ceder ainda mais quando o volume da colheita chegar às cooperativas. Quem fixou nos R$1.700+ esta semana capturou o melhor preço do mês. |
| Sul de Minas Misto · custo R$1.300–1.450/sc |
Varginha R$1.640 (−3%) · Margem estreita · Colheita atrasada por chuvas | Travar 25–30% | Não esperar o retorno ao pico. O atraso de colheita por chuvas é suporte pontual, não estrutural. | A quinta-feira confirmou que as chuvas geram um suporte técnico real. Mas a sexta mostrou que esse suporte não resiste ao dado de safra. O produtor que esperou a colheita completar para negociar verá menos preço disponível, não mais. A janela de R$1.640+ em Varginha ainda é aproveitável. A recomendação é aproveitar parcialmente. |
| Matas de Minas Especiais · 80+ pontos · EUDR |
Zona da Mata R$1.200/sc tipo rio · Especiais com prêmio · Rastreabilidade pendente | Negociar direto | Prêmio de qualidade protege a margem quando o preço de commodity cede. Iniciar documentação EUDR antes da colheita. | O preço do tipo rio (R$1.200/sc) reflete commodity sem diferencial. O produtor de Matas que tem 80+ pontos e rastreabilidade disponível pode negociar de R$1.400 a R$1.600/sc com compradores exportadores diretos, com menor dependência do preço de commodity. A nova classificação oficial ainda leva 2–4 anos; o mercado de especiais já paga o diferencial hoje. |
| Conilon ES Tipo 7/8 · Conab projeção −4,22% |
Conab: ES conilon 13.562 mil sc (−4,22%) · Produtividade ES −8,21% · Safra abaixo do esperado | Vender disponível | Conab confirma que o ES conilon não segue a narrativa de “safra recorde”. Vender o disponível agora captura escassez relativa antes do volume do arábica pressionar o mercado geral. | O robusta em Londres mantém suporte (estoques certificados baixos, seca no Vietnã). O conilon ES terá safra menor que 2025 por queda de produtividade, mantendo escassez local em um mercado de robusta globalmente apertado. Essa combinação justifica preço físico acima do histórico recente. Não segurar esperando uma alta adicional que depende de fatores externos. |
| Trading / Exportador Arábica e/ou robusta |
KCN26 a 265,60¢ · Físico R$1.568–1.710 · COT atrasado (pub. seg) | Monitorar longs | COT de 26/05 publicado: Managed Money net long +22.973 contratos. Acompanhar velocidade de desmonte nas próximas semanas. | A surpresa do COT: fundos estão comprados, não vendidos. A pressão de queda veio dos comerciais hedgeando colheita (net short −21.414). O risco real é o desmonte dos 44.090 contratos long dos fundos — se ocorrer de forma acelerada, o preço cede adicionalmente. Monitorar a variação semanal de Managed Money Long no próximo COT (3/jun) como principal indicador direcional. |
| Cooperativa Carteira mista · capital de giro |
Capital de giro · Selic 14,50% · Conab 66,7 mi sc confirma volume · Fertilizantes em queda | CPR + insumos | Estruturar CPRs com associados enquanto o físico está acima de R$1.600/sc. Aproveitar queda de fertilizantes para compras parceladas agora. | O Conab 66,7 mi confirma o tamanho do desafio de capital de giro. Comprar 4,4 mi de sacas a R$1.700/sc exige aproximadamente R$7,5 bi. Com Selic em 14,50%, a janela de CPR agora é mais econômica que em julho. Fertilizantes nitrogenados em queda criam oportunidade de fixar custo de insumo antes da adubação de cobertura pós-colheita (jun–ago). |
| Gestor FIAGRO CPRs e estoques · LTV sob pressão |
Físico −5 a −12% vs. jan/26 · Conab +18% oferta · Colheita chegando às carteiras | Revisar garantias | Atualizar laudos com referência mai/26. Atenção especial a CPRs lastreadas em conilon ES (−4,22% produção). | O Conab confirma que o arábica terá volume recorde mas o conilon ES declina. CPRs lastreadas em conilon ES podem estar com LTV ainda mais pressionado que o arábica. Com o físico de Sul de Minas em R$1.640 (vs. avaliações acima de R$2.000/sc em jan/26), a deterioração de colateral acumulada em 2026 supera 18%. Monitorar NDVI nas propriedades financiadas é o early warning mais confiável. |
Maio de 2026 fecha com o KCN26 em 265,60¢, queda acumulada de 6,3% no mês, de 285,55¢ ao fechamento de abril. O arábica percorreu em um mês a distância de 9 semanas de colheita sem reversão sustentada: cada repique (a alta de 2,25% em 13/05, o rally de quinta-feira 28/05) foi reabsorvido pelos fundamentos. O Conab confirma o que o mercado já projetava. Nisso está tanto a má notícia quanto o alívio: sem surpresa para cima, o limite baixista passa a ser definido pelos suportes técnicos e pelo ritmo real da colheita.
O que diferencia junho de maio é a entrada em cena de dois catalisadores que não estavam presentes: o USDA com estimativa para o Brasil (potencialmente acima de 70 mi de sacas) e o início de fato do volume da colheita chegando ao mercado físico. Quando o café colhido começar a pressionar os armazéns e cooperativas, o argumento do “atraso por chuvas” perde relevância, e o argumento da oferta abundante ganha tração concreta.
O mercado não pune a falta de euforia. Ele pune a falta de estrutura. Maio foi o mês que separou o produtor que havia travado preço do produtor que esperava o retorno ao pico. Junho será o mês que separará o produtor que tem estrutura de custo conhecida do produtor que ainda está descobrindo o preço que precisaria receber.
O Conab confirma produção de arábica de 45,8 milhões de sacas (+28%) com concentração de crescimento no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba (+60% em um único ciclo) e Sul de Minas (+26%). CPRs lastreadas em arábica mineiro com garantia avaliada no pico de jan/26 (R$2.000+/sc) operam hoje com colateral depreciado em 18–22% dependendo da praça. Para o conilon ES, o quadro é distinto: produção −4,22% e produtividade −8,21%, o que paradoxalmente sustenta o preço físico do conilon acima da tendência de arábica, mas implica que os volumes de produção que lastreiam CPRs podem ser menores que o previsto. A janela de pico de inadimplência cíclica (jun–ago) está se aproximando: o NDVI das propriedades financiadas, cruzado com o calendário da Conab (colheita 27,98% prevista em junho, 29,21% em julho), é o instrumento de early warning mais preciso disponível. Gestores com exposição relevante ao arábica devem revisar os laudos com preço de referência mai/26 e recalcular o índice de cobertura no cenário base (265¢) e pessimista (255¢).