MERCADO DE CAFÉ – ANÁLISE

USDA sela 70 milhões de sacas, granizo não muda a trajetória: arábica fecha a semana em mínima de 19 meses

KCN26 fecha em 246,50¢ após cinco sessões consecutivas de queda (−7,19% na semana). O granizo no Sul de Minas abriu o preço para cima na segunda — e o fechou em baixa. O USDA confirmou 70 milhões de sacas na quinta e removeu o último prêmio de incerteza do ciclo. O que esperar de 8 a 12 de junho.

BACKSOURCE · MERCADO DE CAFÉ PUBLICADO EM 06 JUN 2026 REFERÊNCIA: SEMANA DE 01–05 JUN 2026 TEMPO DE LEITURA 8 MINUTOS

Semana de 8–12/jun: KCN26 no Pivot (246,33¢): zona binária — suporte ou ruptura. Colheita nacional em ~15%, Cooxupé em ~9%. Dano do granizo em quantificação. Real acima de R$5,16. Managed Money ainda net long +19.624 — desmonte gradual em curso.

KCN26 · Jul/26 · Fech. 05/06 246,50¢/lb

−19,10¢ (−7,19%) na semana · Mín. de 19 meses · Range: 243,30–269,40¢

Físico arábica tipo 6 · 05/06 R$ 1.415–1.590/sc

Guaxupé R$1.463 (−3,30%) · Varginha R$1.490 (−1,97%) · Machado R$1.470

Conilon ES · Tipo 7/8 · 05/06 R$ 873/sc

−1,47% · Tipo 7: R$870 (−2,25%) · Robusta também recuando

Granizo Sul de Minas · 01/06 ~230 mil sc

~9.000 ha afetados · Perda estimada R$300/sc · ~R$69M diretos

BRL/USD · 05/06 R$ 5,16

+1,78% na sessão · Real no menor nível recente

A semana dia a dia: cinco pregões de descida, um pivot como destino

Cada um dos cinco pregões da semana encerrou abaixo do anterior. O mercado saiu de 265,60¢ (fechamento de 29/05) e chegou a 246,50¢ — uma queda contínua de 19,10¢ em cinco sessões. Em nenhum momento a semana ofereceu uma sessão de alta. O movimento foi ordeiro, consistente e sem reversão técnica intradiária sustentada.

Pregão Evento & leitura Backsource
Jun
Seg 1
Queda −1,88%
Chuva de granizo atinge as lavouras do Sul de Minas na madrugada de domingo para segunda. O KCN26 abre em alta — 265,85¢ (máxima 269,40¢) — e o mercado tenta precificar o evento climático. Em menos de três horas o preço reverte e fecha em 260,60¢ (−1,88%). O granizo afetou ~9.000 ha e ~230.000 sacas segundo estimativas preliminares. O mercado avaliou o evento como localizado e insuficiente para alterar a trajetória da safra nacional.
Jun
Ter 2
Queda −0,54%
Sessão de menor volatilidade da semana. O KCN26 fecha em 259,20¢ (−0,54%), intervalo apertado (258,15–262,30¢). Mercado em modo de espera pelo USDA WASDE, previsto para quinta-feira. Robusta em Londres resiste melhor que o arábica — início da divergência que se confirmaria ao longo da semana. BSCA alerta sobre impacto de proposta americana no café solúvel brasileiro.
Jun
Qua 3
Queda −2,35%
Queda relevante: KCN26 fecha em 253,10¢ (−2,35%), mínima intrassessão em 252,40¢. Este é o fechamento que rompe o PP3S da semana anterior — nível que a última edição identificou como “ruptura representaria nova mínima de ciclo”. O rompimento ativa pressão vendedora técnica adicional. Exportações do Vietnã sobem 8% de janeiro a maio, dado que amplifica o diagnóstico de oferta global expandida.
Jun
Qui 4
Mín. 19 meses
O USDA publica o WASDE de junho com estimativa de 70 milhões de sacas para a safra brasileira 2026/27, com +30% nas exportações. O número confirma o maior ciclo dos últimos anos. KCN26 fecha em 247,15¢ (−2,35%) — mínima de 19 meses. Colheita da Cooxupé atinge ~9% da área. A Colômbia registra crescimento de produção em maio após 7 meses consecutivos de queda: mais um vetor de oferta global acima do esperado.
Jun
Sex 5
Estabilização
KCN26 fecha em 246,50¢ (−0,26%), praticamente no Pivot (246,33¢). Após quatro sessões de queda contínua, o mercado encontra um ponto de equilíbrio técnico. O real enfraquece para R$5,16 (+1,78%), amplificando a pressão sobre o físico em BRL. Conilon ES tipo 7/8 fecha em R$873/sc (−1,47%) — o robusta também cede, quebrando a divergência que havia sustentado os últimos dias. Mercado segue pressionado, mas reduz perdas com suporte do mercado físico.

O granizo abriu o preço para cima — e o mercado o fechou em baixa

Os cafeicultores esperavam alguma notícia ruim que fundamentasse o aumento dos preços do café. Esta semana ela veio: chuva de granizo nas lavouras do Sul de Minas, um evento que não ocorria na região há mais de um ano. Os dados preliminares apontam para ~9.000 hectares afetados, estimativa de perda de R$300 por saca, e um volume de ~230.000 sacas comprometidas.

O mercado tentou precificar o evento. Na abertura de segunda, o KCN26 subiu até 269,40¢ — um repique de quase 4¢ em relação ao fechamento anterior. Em menos de três horas, a alta foi totalmente revertida e o contrato fechou em queda. A leitura do mercado foi direta: 230.000 sacas representam aproximadamente 1,5% da produção projetada para o Sul de Minas (15,24M sc, Conab), e apenas 0,33% da safra nacional de 70M sacas (USDA). Localizado. Insuficiente para mover o equilíbrio de oferta e demanda global.

⚠ Para o produtor afetado pelo granizo

A quantificação da perda e a negociação de indenizações são urgentes. O produtor afetado tem prazo para acionar o seguro agrícola (Proagro/Seaf) e para renegociar CPRs lastreadas em produção estimada que agora está comprometida. A recomendação técnica é: acionar o seguro imediatamente, documentar os danos com laudo técnico e notificar cooperativa ou tradings que tenham contratos de venda sobre a produção afetada. O prazo de comunicação ao Proagro é normalmente de 48h após o evento. Não hesite em verificar com o agente financeiro.

O paradoxo desta semana reforça o que a série histórica da Cooxupé já demonstrava: em ciclos de alta oferta, o prêmio de risco climático é sistematicamente subprecificado pelo mercado. A colheita nacional está em ~15% (Haroldo Bonfá, Pharos Consultoria) e os 70 milhões de sacas do USDA ainda precisam ser colhidos, transportados e exportados. Um evento de granizo em 0,33% da safra projetada não muda esse cálculo e o mercado foi preciso ao comunicar isso em tempo real.

USDA 70 milhões: o número que fechou o debate sobre a safra

O USDA publicou na quinta-feira, 4 de junho, sua primeira estimativa formal para a safra brasileira 2026/27: 70 milhões de sacas, com crescimento de exportações projetado em 30%. O número ficou entre a Conab (66,7M) e o consenso de mercado (73M, referência da Archer Consulting e de Marcelo Fraga Moreira), mas sua relevância não está na precisão e sim no que ele representa institucionalmente.

Com o USDA validando a faixa de 70M+, três coisas ocorreram simultaneamente: (1) qualquer posição comprada que dependia de uma estimativa mais conservadora do USDA foi desmontada; (2) o prêmio de incerteza — a diferença entre o que o mercado esperava e o que poderia surpreender para baixo — foi eliminado; (3) o gatilho técnico do rompimento do PP3S de quarta (253,10¢) encontrou novo combustível na confirmação fundamental.

A Conab ainda estará com revisão em breve e o mercado já trabalha com estimativas acima de 70M para o USDA seguinte. A trajetória de leituras crescentes da safra tende a manter a pressão baixista no médio prazo.

COT: o desmonte de longs continua em ritmo consistente

O COT de 2 de junho (posições até 2/06) confirma a tendência que acompanhamos desde que corrigimos a leitura anterior: os fundos (Managed Money) seguem net long, mas reduzindo a exposição de forma gradual e consistente.

Data Long Short Net Open Interest
26/05/2026 44.090 21.117 +22.973 193.648
02/06/2026 42.530 22.906 +19.624 202.855
Variação −1.560 +1.789 −3.349 +9.207

Variação semanal: −1.560 longs, +1.789 shorts, net −3.349. O Open Interest subiu +9.207 contratos — mas o crescimento veio dos produtores e comerciantes (hedgers), não dos fundos especulativos. Os comerciais (Producer/Merchant) adicionaram 6.736 long e 1.587 short na semana, ampliando sua cobertura de colheita. O OI em crescimento com Managed Money reduzindo longs é um sinal claro: quem está entrando no mercado é o hedge de safra, não nova compra especulativa.

Se o ritmo de desmonte de longs dos fundos se mantiver em −3.000 a −4.000 contratos/semana, a posição líquida pode atingir o equilíbrio (zero) em 5 a 7 semanas — potencialmente tornando-se net short por volta de meados de julho. Esse seria um vetor adicional de pressão baixista, mas ainda não é o cenário atual.

A série Cooxupé revisitada: chegamos ao piso de julho em início de junho

Na edição de 30/05, projetamos com base na série histórica da Cooxupé que o cenário base para julho seria $281/sc ≈ R$1.406/sc (câmbio R$5,00). Esta semana, o Guaxupé fechou em R$1.463/sc. Dividindo pelo câmbio atual (R$5,16): $283,5/sc. Estamos essencialmente no piso do cenário base para julho, já no início de junho com 5 a 6 semanas de antecedência em relação à projeção original.

Isso tem duas implicações. A primeira é que a previsão se confirmou em direção e magnitude, o padrão sazonal da Cooxupé mostrou ser um referencial válido. A segunda é que, se o ciclo está acelerado, a pressão de colheita que esperávamos para julho pode ser sentida em junho com a mesma intensidade. Os cenários para a semana de 8 a 12 de junho deverão refletir essa dinâmica.

Série Cooxupé — projeção original vs. realizado
Projeção base (jul)
$281/sc
≈ R$1.406 a R$5,00
Realizado (jun/5)
$283,5/sc
R$1.463 ÷ R$5,16 · Guaxupé
Adiantamento
5–6 semanas
Piso de julho atingido em início de junho
Projeção revisada para julho 2026: $255–270/sc = R$1.316–1.393/sc a R$5,16. Se o câmbio recuar para R$5,00, os valores em BRL sobem proporcionalmente.

África e China: o alerta estratégico que o setor ainda subestima

Na margem do debate desta semana, um dado passou despercebido pela maioria das análises: a China concedeu acesso com tarifa zero para o café africano, enquanto o Brasil continua sujeito a tarifas na exportação para o maior mercado consumidor em crescimento no mundo. A implicação não é imediata no preço do KCN26 de julho, mas é estrutural no posicionamento competitivo do café brasileiro a médio prazo.

A África produtora — Etiópia, Uganda, Tanzânia, Quênia — opera com custos de mão de obra muito inferiores aos brasileiros. Com isenção tarifária para o mercado chinês, esses países ganham uma vantagem de preço que o Brasil não tem como replicar via produtividade ou câmbio. A resposta competitiva disponível ao Brasil tem dois caminhos: diferenciação por qualidade e origem certificada (onde o Brasil tem vantagem real, especialmente nas Matas de Minas e no Cerrado) e uma eventual expansão estratégica da cafeicultura brasileira para além das fronteiras nacionais, direcionando capital, tecnologia e gestão para regiões produtoras africanas, tal como os EUA fazem com minerais críticos. É um horizonte de longo prazo, mas o timing para iniciar esse movimento estratégico não poderia ser mais oportuno.

Régua de Preços — KCN26 · 05/06/2026

O fechamento em 246,50¢ coloca o preço praticamente no Pivot (246,33¢) — zona de inflexão técnica. A configuração desta semana é inédita nas últimas edições: todos os desvios padrão de resistência (+1σ, +2σ, +3σ) estão acima do preço atual. Isso indica que o preço saiu do intervalo central da distribuição estatística e opera no extremo inferior da curva. Tecnicamente, essa posição cria dois cenários: bounce técnico rápido se houver catalisador de compra, ou aceleração de queda se o PP1S (243,47¢) for rompido.

KCN26 · Fechamento 05/06/2026 246,50¢/lb No Pivot · Zona binária · Mín. 19 meses

Zona de resistência

246,33 — 259,53¢

Pivot (246,33¢) é a primeira barreira — 0,17¢ acima. +1σ (253,06¢), PP1R (249,37¢) e MM9 (259,53¢) formam resistências crescentes. Qualquer recuperação deve superar 249,37¢ para ser considerada técnica.

Posição atual — Zona Pivot

246,50¢/lb

+0,17¢ acima do Pivot · 3,03¢ acima do PP1S (243,47¢) · todos os +σ são resistência

Zona de risco — suportes críticos

235,14 — 243,47¢

PP1S (243,47¢) → Target (241,98¢) → −1σ (239,94¢) → −2σ (237,22¢) → 3-10 MA (236,49¢) → −3σ (235,14¢). Ruptura do PP1S ativa stops dos CTAs.

Referência detalhada de níveis

Fonte: Barchart.com · KCN26 Cheat Sheet · 05/06/2026 · 21h41 CDT

Cenários — semana de 8 a 12 de junho

⬇ Baixista
236–243¢
Ruptura do PP1S (243,47¢) ativa stops dos CTAs. Sequência: Target (241,98¢) → −1σ (239,94¢) → −2σ (237,22¢) → 3-10 MA (236,49¢). Gatilho: colheita acima de 20% + real R$5,20+ + revisão do USDA para 72M+ sc.
→ Base (mais provável)
241–249¢
Consolidação no Pivot. O mercado testa 246,33¢ como suporte após cinco sessões de queda. Harvest em ~15% ainda longe do pico de pressão (jul/ago). Volatilidade alta, sem catalisador direcional claro. Físico Guaxupé entre R$1.430–1.480/sc.
⬆ Altista
250–256¢
Granizo com dano maior que o estimado inicialmente + COT mostrando desaceleração do desmonte de longs + dado climático (geadas) gera short covering. Alvo +1σ (253,06¢). Requer catalisador duplo — improvável mas não descartável dado que o preço está em mínimas.

Matriz de decisão — semana de 8 a 12 de junho

PerfilPosição atualSinalAção prioritáriaRaciocínio
Cerrado Mineiro
Mecanizado · custo R$1.100–1.250/sc
Físico R$1.450–1.590 · Colheita avançada · Margem positiva Vender agora Com físico acima do custo e série Cooxupé mostrando queda adicional provável em julho, a janela de venda com margem está se fechando. A série histórica Cooxupé projetava $281/sc para julho. Estamos em $283/sc em junho. Se o padrão acelerado continuar, julho pode trazer $255–270/sc. Quem está com margem positiva hoje deve realizá-la — não esperar pela colheita de máximo volume.
Sul de Minas — não afetado pelo granizo
Custo R$1.300–1.450/sc
Varginha R$1.490 · Machado R$1.470 · Colheita em fase inicial Travar 30–40% Margem estreita mas positiva. Fixar parcialmente enquanto o preço ainda cobre o custo. Cenário base para a semana: consolidação 241–249¢. Cenário baixista: Guaxupé pode recuar para R$1.380–1.420/sc. Para quem tem custo acima de R$1.400, a janela de operação positiva está diminuindo. Travar agora é estrutura, não pessimismo.
Sul de Minas — afetado pelo granizo
~9.000 ha · ~230.000 sc · R$300/sc perda
Produção comprometida · Contratos de venda em risco · Seguro pendente Acionar seguro Comunicar Proagro/Seaf imediatamente. Documentar danos com laudo técnico. Notificar cooperativa e tradings sobre volume comprometido. O prazo de comunicação ao seguro é normalmente 48h após o evento — verificar com agente financeiro com urgência. CPRs lastreadas em produção estimada precisam ser renegociadas. A quantificação definitiva levará semanas, mas a comunicação formal deve ocorrer esta semana.
Matas de Minas · Especiais
80+ pts · EUDR · Mercosul-UE
Prêmio de qualidade ativo · Zona da Mata tipo rio R$1.200/sc Negociar direto Não vender pelo preço de commodity. Com preço de arábica tipo 6 em R$1.415–1.590, o diferencial de qualidade pode chegar a R$200–400/sc. A queda do commodity não afeta proporcionalmente o mercado de especiais — compradores que pagam prêmio de qualidade operam por outros critérios. O acesso livre do café africano ao mercado chinês torna a diferenciação por qualidade e rastreabilidade ainda mais urgente como estratégia de longo prazo.
Conilon ES
Tipo 7/8 · Conab projeção −4,22%
Tipo 7/8: R$873 (−1,47%) · Tipo 7: R$870 · Produção ES abaixo de 2025 Vender disponível Conilon também recuou esta semana, quebrando a resistência relativa das últimas semanas. Vender o disponível antes que a divergência com o arábica se reduza ainda mais. ES conilon com produção −4,22% (Conab) tem escassez relativa — fator de suporte. Mas com robusta em Londres cedendo e o real em R$5,16, o suporte pode se fragilizar. Margem ainda positiva com custo de produção em R$350–500/sc.
Trading / Exportador
Arábica e/ou robusta
246,50¢ no Pivot · MM net long +19.624 · COT de 10/06 na sexta Monitorar longs Acompanhar o COT de sexta 12/06. Se Managed Money net long cair abaixo de +15.000, o ritmo de desmonte está acelerando. O preço no Pivot cria zona binária: suporte ou ruptura. Para posições vendidas, o stop natural está acima de 249,37¢ (PP1R). O próximo COT (posições até 10/06) será o indicador mais relevante da semana para calibrar se o desmonte de longs dos fundos está acelerando.
Cooperativa
Carteira mista · capital de giro
USDA 70M confirmado · Colheita acelerando · Selic 14,50% CPR + compra insumos Continuar estruturando CPRs com associados enquanto o físico ainda cobre o custo. Janela de compra de fertilizantes nitrogenados permanece favorável. Com o USDA confirmando 70M e o físico em queda, a janela de CPR a preços ainda adequados está se fechando. O capital de giro para adquirir a safra — ~R$7,5 bi para 4,4M sc a R$1.700 — precisa de hedge antes que o físico recue para R$1.350–1.400.
Gestor FIAGRO
CPRs e estoques · LTV
Físico −20% vs. jan/26 · Granizo adiciona risco de colateral para afetados Revisar garantias Atualizar laudos com referência de preço jun/26. Identificar carteira com exposição a propriedades nas áreas atingidas pelo granizo. O Guaxupé em R$1.463/sc representa queda de ~27% vs. avaliações de pico (R$2.000+/sc). CPRs lastreadas no Sul de Minas com avaliação de jan/26 estão subcolateralizadas. O granizo adiciona um risco específico: propriedades afetadas têm agora tanto o preço pressionado quanto o volume comprometido — duplo impacto sobre o LTV.

Junho começou onde maio terminou: com o mercado priorizando os fundamentos de oferta sobre qualquer catalisador de curto prazo. O granizo de segunda-feira testou a convicção dos vendidos — e eles não cederam. O USDA de quinta-feira removeu a última dúvida sobre o tamanho da safra. Com 70 milhões de sacas confirmadas e a colheita em ~15% do total, o volume que ainda está no campo é suficiente para sustentar a pressão baixista por pelo menos mais oito semanas.

O que muda para a próxima edição é o contexto técnico: o preço está no Pivot pela primeira vez desde a sequência de quedas que se iniciou em novembro de 2025. Zona de inflexão real. Se o suporte no Pivot se confirmar nos próximos dois pregões, a narrativa muda de “queda contínua” para “consolidação antes do próximo movimento”. Se o PP1S (243,47¢) ceder, a série histórica da Cooxupé aponta para R$1.316–1.393/sc como próximo piso projetado.

O mercado não pune a falta de euforia. Ele pune a falta de estrutura. Estrutura, neste momento, significa ter tomado as decisões de comercialização antes que o Pivot precisasse ser testado.

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