MERCADO DE CAFÉ – ANÁLISE

Santos, El Niño e Vietnã: a semana em que o café olhou para 2027

Análise do mercado de café: KCN26 fecha a semana em 272,35¢/lb, com recuperação técnica após a mínima de 9 meses, mas ainda abaixo do Pivot. Open interest de 74.930 contratos no Jul/26 sugere que a pressão vendida ainda não foi desmontada.

BACKSOURCE · JEREMIAS JANJÃO DO NASCIMENTO PUBLICADO EM 23 MAI 2026 REFERÊNCIA: SEMANA DE 18 A 22 MAI 2026 TEMPO DE LEITURA 10 MINUTOS

Semana de 25–29/mai: Feriado nos EUA (Memorial Day, seg 25/05): calendário de negociação atípico e liquidez reduzida na abertura da semana. El Niño ganha tração como variável de precificação para a safra 2027/28. Robusta em alta por seca no Vietnã. A divergência estrutural entre as duas variedades começa a aparecer nas cotações. COT da semana disponível na sexta.

KCN26 · Jul/26 · Fech. 22/05 272,35¢/lb

−1,05¢ (−0,38%) · Range semana: 262,80–274,80¢ · Ainda abaixo do Pivot

KCU26 · Set/26 · Fech. 22/05 264,80¢/lb

Rompeu suporte na segunda · OI: 53.520 contratos

Robusta RMN26 · Fech. 22/05 +1,68%

Alta por seca no Vietnã · Divergência arábica × robusta

Físico arábica tipo 6 · 22/05 R$ 1.578–1.750/sc

Varginha R$1.750 · Guaxupé R$1.578 · Estável na maioria das praças

BRL/USD · semana ~R$ 5,00–5,03

Estável vs. semana anterior · Dólar em consolidação

A semana dia a dia: recuperação técnica sem reversão de tendência

A semana de 18 a 22 de maio começou exatamente onde a anterior havia terminado: com pressão baixista e o KCN26 ainda operando abaixo do Pivot de 272,62¢. A sequência dos cinco pregões narrou uma recuperação técnica real, ainda insuficiente para mudar o viés de médio prazo.

Pregão Evento & leitura Backsource
Seg 18
Mai
Queda
KCN26 fecha em queda com pressão da safra brasileira em avanço. Ponto técnico relevante: o contrato de julho trabalhou no espectro base de oscilação, enquanto o contrato de setembro (KCU26) rompeu e se manteve na região de suporte durante todo o pregão. Essa divergência de comportamento entre vencimentos é informação: o mercado de setembro já estava precificando uma oferta mais abundante no segundo semestre. A atenção ao clima no cinturão produtor começa a aparecer nas narrativas dos operadores, mas ainda como ruído, não como variável dominante de precificação.
Ter 19
Mai
Alta +2,25%
Café reage com alta de até 2,25% em NY após mínimas recentes, a maior alta diária da semana. Parte da narrativa de mercado interpretou o movimento como suporte para expansão de preços. A leitura mais precisa: foi reposicionamento técnico dos contratos vendidos transitando entre vencimentos, não sinal de tendência. Fundos que tinham posição short no KCN26 migraram parcialmente para o KCU26. Esse movimento gerou cobertura no julho e pressão adicional no setembro, explicando a divergência observada na segunda-feira. Movimento técnico, não de tendência. O Seminário Internacional do Café começa em Santos.
Qua 20
Mai
Neutro
Segundo dia do XXV Seminário Internacional do Café em Santos. No painel de urgência portuária, os participantes sinalizaram, em tom institucional, que o Porto de Santos precisa de modernização estrutural, ampliação de capacidade e maior previsibilidade operacional. A governança portuária e os processos de trabalho seguem como gargalos reconhecidos pela cadeia, com avanço ainda lento diante da relevância do café na pauta exportadora. No painel de demanda e tendência, o crescimento de cafés especiais dominou a discussão. Uma lacuna identificada: estratégias para serviços, tecnologia e valor agregado, não apenas grãos, ficaram fora da agenda.
Qui 21
Mai
Alta
Café fecha em alta com preocupação de que o El Niño possa afetar a safra brasileira de 2027/28. O clima começa a aparecer como catalisador de alta. Mas é preciso separar: o que se precifica hoje é uma safra que estará no campo em 2027, não a atual. O movimento de alta tem fundamento técnico adicional: a leitura do COT confirmou posição vendida líquida robusta. Qualquer notícia de suporte pode gerar cobertura acelerada de shorts. Rabobank divulga análise: safra total do Brasil deve ser recorde, puxada pelo robusta, mas o arábica não deve superar a safra histórica de 2020.
Sex 22
Mai
Queda
KCN26 fecha em −1,05¢ (−0,38%) em 272,35¢. Robusta (RMN26) fecha em alta de +1,68% por seca no Vietnã, em divergência clara entre as duas variedades na mesma sessão. A curva de contratos KC confirma uma estrutura invertida: jul/26 em 272,35¢ → set/26 em 264,80¢ → dez/26 em 256,95¢ → mar/27 em 254,75¢. O mercado desconta queda progressiva de preços até 2027. O open interest de 74.930 contratos no KCN26 sinaliza que a posição vendida dos fundos ainda não foi desmontada.

Open Interest e COT: o que os fundos estão fazendo

O open interest (OI) é o número de contratos futuros em aberto, ou seja, não encerrados, em determinado momento. É o termômetro mais direto do comprometimento dos operadores com suas posições. Quando o OI cresce enquanto o preço cai, os fundos estão abrindo posições vendidas novas, não apenas mantendo as antigas. Quando o OI cai enquanto o preço sobe, pode ser cobertura de shorts, movimento diferente da entrada de novos compradores no mercado.

Contrato Fechamento 22/05 Variação Open Interest Leitura
KCN26 · Jul/26 272,35¢ −1,05¢ 74.930
Vencimento ativo. OI elevado com preço abaixo do Pivot = posição vendida persistente.
KCU26 · Set/26 264,80¢ −0,70¢ 53.520
Rompeu suporte na segunda. Migração de vendidos do N26 para U26 explica a pressão.
KCZ26 · Dez/26 256,95¢ −0,30¢ 37.238
Curva invertida confirmada. Mercado precifica oferta crescente no 2º semestre.
KCH27 · Mar/27 254,75¢ −0,20¢ 13.575
OI crescendo: mercado começa a posicionar para 2027. El Niño no radar.
KCK27 · Mai/27 254,20¢ −0,10¢ 4.451
Posicionamento inicial para 2027. Volume ainda baixo.

A leitura consolidada da curva de contratos KC é inequívoca: a curva está invertida, com desconto relevante nos vencimentos mais longos. Os contratos distantes valem menos que os próximos, refletindo a expectativa de pressão de oferta ao longo de 2026 e início de 2027. O spread entre KCN26 (272,35¢) e KCZ26 (256,95¢) é de 15,40¢ em seis meses, uma queda implícita de 5,7% projetada pela própria curva futura.

Leitura Backsource

O OI de 74.930 contratos no KCN26, com preço abaixo do Pivot, sugere manutenção relevante de posições vendidas. O dado não indica desmontagem ampla da pressão baixista.

O XXV Seminário Internacional do Café: o que ficou e o que faltou

O encontro em Santos marcou presença e engajamento maiores que nos últimos três anos, sinal de que o setor está em busca ativa de respostas para um momento de transição. A abertura do evento reforçou uma narrativa estrutural relevante: a expansão do consumo precisa ser acompanhada por capacidade produtiva, logística e institucional. Com exportações globais crescendo de forma consistente, a discussão deixa de ser apenas sobre preço corrente e passa a envolver oferta futura, produtividade, capacidade portuária e coordenação da cadeia. O problema é que o investimento produtivo ainda não ocorre na escala exigida por esse horizonte.

O painel sobre o porto foi o mais revelador da semana. A discussão apontou para um diagnóstico já conhecido pela cadeia: o Porto de Santos segue como gargalo estrutural para a competitividade do café brasileiro. O setor precisa de modernização operacional, previsibilidade logística e maior eficiência na governança portuária. Varginha consolidou seu papel como maior hub cafeeiro do Brasil. A distância entre a excelência logística da praça e a infraestrutura portuária que serve a exportação continua sendo um paradoxo a endereçar.

O que ficou fora da agenda, e que merece espaço nas próximas edições do evento, é a discussão sobre serviços e valor agregado. Tratar apenas o ciclo de grãos é limitar o debate ao que já está em curso. O salto estratégico não está apenas em exportar café verde, mas em exportar sistemas: tecnologia de processamento, rastreabilidade, inteligência agronômica, serviços especializados e marcas de origem. O dirigente da indústria americana que afirmou “sem café brasileiro não há mercado americano” entregou, involuntariamente, o argumento perfeito para essa conversa.

El Niño, clima e a janela de precificação: quando isso realmente entra no preço

A alta de quinta-feira foi atribuída, em parte, à preocupação com o El Niño e seus efeitos sobre a safra brasileira. É um tema legítimo: mas o timing importa. A janela de precificação climática para o café segue uma lógica bem definida:

Calendário de precificação climática · arábica Brasil
Mai–Jun/26 (agora)
Clima como ruído especulativo para a safra 2026/27 em andamento. É difícil calcular impacto real, pois a colheita já foi iniciada e a janela de intervenção é limitada. Precificação prematura e volátil.
2ª quinz. Jun/26
Início da janela de florada para 2027/28. El Niño passa a ter impacto calculável sobre produtividade do próximo ciclo. Esta é a janela real de precificação climática.
Jul–Set/26
Período crítico de diferenciação floral e desenvolvimento dos frutos. Déficit hídrico ou geadas neste período têm impacto direto e mensurável na safra 2027/28. Volatilidade climática máxima.

A implicação prática é que a alta de quinta-feira foi antecipação especulativa de um risco real, mas ainda não quantificável. Isso não torna o movimento inválido: fundos posicionados em opções de clima já estão se movendo. Mas o produtor que interpreta essa alta como sinal de reversão de tendência de curto prazo está lendo o sinal errado. O El Niño vai importar para o preço a partir da segunda quinzena de junho, quando a florada começar.

Arábica × Robusta: o que a divergência de sexta-feira revela

Na sexta-feira 22/05, o KCN26 (arábica) fechou em −0,38% enquanto o RMN26, robusta negociado em Londres, fechou em +1,68%. A mesma sessão, direções opostas. O catalisador do robusta foi a seca no Vietnã: principal produtor mundial da variedade, com safra dependente das chuvas de monção que chegam atrasadas neste ano.

A pergunta que surgiu na semana, e que merece reflexão, é se é justo comparar o preço do arábica com o do robusta em condições de produção tão distintas. A resposta é: são mercados diferentes, mas conectados. A pressão altista no robusta tende a criar um piso relativo para o arábica, já que compradores substituem parcialmente uma variedade pela outra nos blends industriais. Quando o robusta fica caro, a demanda por arábica aumenta na margem.

O que isso significa para o produtor brasileiro de arábica: a seca no Vietnã é, paradoxalmente, uma notícia de suporte para o arábica no médio prazo. Não suficiente para reverter o viés baixista atual, mas suficiente para criar um piso mais robusto do que o mercado estava projetando há duas semanas. O monitoramento das chuvas no Vietnã nas próximas 4 semanas é tão relevante quanto o monitoramento do clima no Triângulo Mineiro.

A divisão do mercado sobre a safra 2026 e o capital que move 4,4 milhões de sacas

O mercado continua dividido sobre o volume da safra 2026. Produtores de Minas Gerais descartam novo recorde de arábica. A safra histórica de 2020 permanece como referência de teto. O Rabobank aponta que o recorde total será puxado pelo robusta (conilon), com o arábica operando abaixo das expectativas mais otimistas. O Itaú BBA mantém visão pessimista para os preços no segundo semestre, leitura historicamente consistente com o padrão sazonal de pressão de colheita em jun–jul.

Um dado que raramente aparece na análise de mercado mas que tem implicações diretas para o crédito rural: se uma cooperativa adquirir algo próximo de 4,4 milhões de sacas nesta safra a preços médios próximos de R$ 1.700/sc, a necessidade bruta de capital de giro poderia se aproximar de R$ 7,5 bilhões. De onde vem esse dinheiro? A resposta é: CPRs, linhas de custeio rural (Pronaf, Pronamp, recursos livres), antecipação de exportações e captações em mercado de capitais. Mesmo considerando escalonamento de pagamentos, financiamento, barter e antecipações, o volume financeiro que move a cafeicultura mineira em um único ciclo de safra é comparável ao orçamento de cidades de médio porte. Quando as taxas sobem ou o crédito aperta, o impacto não é abstrato: ele aparece na velocidade de comercialização do café e no preço que o produtor aceita receber.

A nova classificação oficial do café, cujo marco regulatório avança, tem potencial para mudar a remuneração do produtor, mas o mercado absorve mudanças regulatórias com lentidão. A estimativa realista é de 2 a 4 anos para que a nova classificação seja adotada de forma consistente nas transações comerciais. O produtor que já produz com qualidade acima do padrão atual não precisa esperar: o mercado de cafés especiais e as exportações diretas já remuneram esse diferencial hoje.

Régua de Preços · KCN26 · 22/05/2026

O fechamento em 272,35¢ representa uma recuperação de 5,45¢ em relação à mínima de 9 meses registrada em 15/05 (266,90¢). O preço voltou para a zona de transição: acima do PP1S (270,43¢) e próximo ao Pivot (272,62¢), mas ainda sem cruzar essa barreira de forma consistente. A Régua de Preços desta semana reflete essa posição ambígua: recuperação técnica real, tendência de médio prazo ainda baixista.

KCN26 · Fechamento 22/05/2026 272,35¢/lb Zona de transição · 0,27¢ abaixo do Pivot

Zona de resistência

272,62 a 290,70¢

Pivot em 272,62¢ é o primeiro teste (0,27¢ acima). Acima dele: PP1R (274,53¢), MM9 (277,25¢), MM18 (290,70¢) e MM40 (284,90¢). Fechamento acima de 274,53¢ por dois pregões confirmaria recuperação de curto prazo.

Posição atual

272,35¢/lb

0,27¢ abaixo do Pivot · 1,92¢ acima do PP1S (270,43¢) · +5,45¢ vs. mínima de 15/05

Zona de suporte

266,04 a 270,43¢

PP1S (270,43¢) é o piso imediato. Abaixo: PP2S (268,52¢), −1σ (268,71¢), 3-10 MA (268,75¢) e PP3S (266,33¢). Ruptura do PP1S reabre caminho para a mínima de 9 meses.

Referência detalhada de níveis

Fonte: Barchart.com · KCN26 Cheat Sheet · 22/05/2026 · 18h53 CDT

Cenários · semana de 25 a 29 de maio

⬇ Pessimista
262–268¢
Feriado nos EUA (seg 25/05) reduz liquidez e amplifica movimentos. Ruptura do PP1S (270,43¢) reabre caminho para as mínimas de 15/05. Gatilho: dólar acima de R$5,10 + notícia de aceleração da colheita brasileira + ausência de dado climático expressivo.
→ Base
268–276¢
Consolidação entre PP1S (270,43¢) e PP1R (274,53¢). O mercado testa o Pivot (272,62¢) sem defini-lo como suporte ou resistência clara. Semana de volume reduzido com El Niño como variável de fundo, ainda sem precificação dominante.
⬆ Otimista
276–282¢
Confirmação de seca severa no Vietnã (robusta) + notícia de El Niño mais intenso que o esperado para a florada 2027/28 pode gerar short covering relevante. Alvo: MM9 em 277,25¢. Requer catalisador duplo, improvável mas não descartável.

Matriz de decisão · semana de 25 a 29 de maio

Perfil Posição atual Sinal Ação prioritária Raciocínio
Cerrado Mineiro
Mecanizado · custo R$1.050–1.250/sc
Físico R$1.690–1.714/sc · Margem R$440–664/sc · Colheita em andamento Fixar 40–50% Travar antes do pico de oferta (jun–jul), enquanto a margem ainda cobre o custo com folga. A curva KC invertida embute desconto de 5,7% até dez/26, sinalizando que o mercado precifica pressão de oferta no segundo semestre. Quem aguarda o topo assume esse risco. Fixar agora é estrutura, não conservadorismo.
Sul de Minas
Misto · custo R$1.300–1.450/sc
Varginha R$1.750/sc · Margem R$300–450/sc · Colheita iniciando Travar 25–30% Fixar parcial antes da entrada em volume da safra. Manter 70–75% em aberto para o upside do El Niño em junho. A alta de terça-feira (+2,25%) foi reposicionamento de vencimento, não reversão de tendência. Margem estreita: proteger parte e aguardar o dado climático de junho é o equilíbrio correto.
Matas de Minas
Especiais · 80+ pontos
Prêmio de qualidade ativo · Rastreabilidade EUDR pendente Negociar direto Negociar prêmio por qualidade, não vender pelo preço de commodity. Iniciar documentação de rastreabilidade EUDR antes da colheita. O dirigente americano que afirmou “sem café brasileiro não há mercado americano” entregou o argumento de negociação. O acordo Mercosul-UE exigirá comprovação de origem individual. Quem estiver pronto terá vantagem de preço.
Conilon ES
Tipo 7/8 · custo R$350–500/sc
Tipo 7/8 em R$881/sc (+1,85%) · Tipo 7 em R$870/sc · Margem >R$380/sc Aproveitar alta Vender disponível agora. A alta do robusta em Londres por seca no Vietnã sustenta o físico: mas o suporte é transitório. O RMN26, robusta negociado em Londres, fechou +1,68% na sexta por seca no Vietnã e arrastou o conilon ES. Esse suporte depende das chuvas de monção nas próximas quatro semanas. Com margem acima de R$380/sc e risco climático externo como principal sustentação, segurar disponível exige justificativa comercial clara.
Trading / Exportador
Arábica e/ou robusta
Curva KC invertida · OI 74.930 KCN26 · Feriado EUA segunda Cautela técnica Monitorar abertura de terça pós-feriado. Aguardar COT de 29/05 antes de posicionamento direcional. Volume reduzido na segunda amplifica movimentos. Spread KCN26/KCU26 de 7,55¢ é referência para roll. COT de 29/05 revelará se a posição vendida dos fundos foi coberta após a recuperação desta semana. Esse será dado decisivo para o viés de junho.
Cooperativa
Carteira mista de associados
Capital de giro · Selic 14,50% · CPR como instrumento · EUDR no radar CPR + comunicar risco Estruturar CPRs agora. Comunicar risco do cenário pessimista (262–268¢) aos associados com custo acima de R$1.400/sc. Adquirir 4,4 mi de sacas a ~R$1.700/sc implica necessidade bruta próxima de R$7,5 bi em capital de giro. Com Selic em 14,50%, carregamento sem hedge corrói margem rapidamente. CPR estruturado agora é mais barato que hedge de emergência em julho.
Gestor FIAGRO
Exposição a CPRs e estoques de café
LTV sob pressão · Físico −4 a −5% vs. avaliações jan/26 · Colheita chegando Revisar garantias Revisar laudos com referência de preço mai/26. Monitorar NDVI nas propriedades financiadas. Desconto de 15,40¢ entre KCN26 e KCZ26 implica deterioração adicional do colateral. Garantias avaliadas a R$1.800+/sc em jan/26 operam hoje subcolateralizadas. O pico de inadimplência cíclica ocorre em jun–ago. NDVI é o early warning mais confiável disponível.

A semana de 18 a 22 de maio entregou uma recuperação técnica real mas não uma reversão de tendência. O KCN26 voltou da mínima de 9 meses para a zona de transição do Pivot, os fundos ainda carregam posição vendida robusta, e a curva de contratos continua sinalizando preços menores à frente. O que mudou na narrativa foi a introdução de duas variáveis novas com potencial de reescrever o cenário de médio prazo: o El Niño e a seca no Vietnã.

Nenhuma das duas tem força suficiente, hoje, para mudar o viés baixista de curto prazo. Mas ambas têm a capacidade de transformar uma cobertura de shorts em uma nova tendência de alta, caso os dados climáticos confirmarem intensidade superior ao esperado na segunda quinzena de junho. O mercado não espera essa confirmação para começar a se posicionar: ele antecipa, com volatilidade, e cobra caro do produtor que não tinha estrutura quando o sinal chegou.

O mercado não pune a falta de euforia. Ele pune a falta de estrutura. No café, estrutura significa ter decisões tomadas antes que a colheita chegue ao armazém e antes que o fundo, do outro lado da tela, decida cobrir a posição.

📌 Nota para gestores de FIAGROs e carteiras com exposição à cafeicultura

A curva KC invertida, com desconto de 15,40¢ entre KCN26 (272,35¢) e KCZ26 (256,95¢) em seis meses, tem implicação direta sobre o LTV de garantias constituídas em estoques físicos de café. Uma CPR lastreada em café arábica com garantia avaliada a R$1.800/sc no início do ano opera hoje com colateral depreciado em aproximadamente 4–5%. A entrada do El Niño como variável de 2027 não altera esse cálculo para operações de curto prazo. Gestores com exposição ao vencimento de dez/26 em diante devem revisar os laudos de avaliação com referência de preço atualizada. O monitoramento de NDVI nas propriedades financiadas continua sendo a principal ferramenta de early warning para inadimplência cíclica no período de pico de colheita (jun–ago).

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